A Decourt foi fundada em 24 de abril de 1973 por Luciano Décourt, engenheiro com mais de 60 anos de atuação em engenharia geotécnica e fundações. Desde então, a empresa reúne consultoria técnica, pesquisa aplicada e desenvolvimento de métodos para fundações — com base científica construída ao longo de décadas de estudos e projetos.
150+trabalhos publicados
500+citações acadêmicas
Luciano Décourt formou-se pela Escola Politécnica da USP em 1963, com passagens por Harvard (1965) e Cambridge (1972). Atuou no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), na Brasconsult Engenharia de Projetos e no Laboratório Rankine de Engenharia Civil, fundou a Luciano Décourt Consultoria e lecionou Mecânica dos Solos como Professor Titular na FAAP, formando gerações de engenheiros geotécnicos.
Entre suas contribuições técnicas está o desenvolvimento do Standard Penetration Test (SPT) segundo o International Reference Test Procedure (1988/1989), hoje um dos ensaios de campo mais utilizados na engenharia de fundações. A isso somam-se três décadas de estudos sobre solos lateríticos.
Reconhecimento internacional
Vice-presidente da International Society for Soil Mechanics and Foundation Engineering (1989–1994).
Prêmio da ESOPT II (European Symposium on Penetration Testing), Amsterdã, 1982, pela melhor previsão de capacidade de carga de uma estaca de concreto protendido, com fórmula de sua autoria.
Sócio Emérito da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica (ABMS), desde 2014.
Membro Emérito da Associação Brasileira de Empresas de Engenharia de Fundações e Geotecnia (ABEF), desde 1992.
Fellow da American Society of Civil Engineers (ASCE), desde 1991.
Membro da Academia Nacional de Engenharia (ANE), cadeira 79, desde 2012.
Prêmios Manuel Rocha (1996–1998) e Karl Terzaghi (2002–2004), da ABMS; Prêmio José Machado, da ABMS; Prêmio Odair Grillo, da ABEF; e Prêmio Milton Vargas (2012), da Revista Fundações e Obras Geotécnicas.
É esse embasamento técnico — ciência aplicada, rigor e experiência de campo — que orienta a atuação da Decourt até hoje.
Seu trabalho é referência em publicações de autores como Harry G. Poulos, Bengt H. Fellenius, Rodrigo Salgado e Urbano Rodrigues Alonso, entre outros, somando mais de 500 citações acadêmicas em todo o mundo.
Projetos
Ao longo de mais de 50 anos, a Decourt projetou fundações para os mais diversos tipos de obra — não apenas edifícios, mas também grandes empreendimentos de infraestrutura. À frente do departamento de Mecânica dos Solos da Brasconsult Engenharia de Projetos (1967–1973), Luciano Décourt respondeu pelos projetos de fundação de quatro usinas hidrelétricas e por trechos do metrô de São Paulo e do Rio de Janeiro — experiência que, desde então, se estende a rodovias, obras industriais e centenas de edifícios residenciais e comerciais em todo o país.
Edifícios residenciais e comerciais — de médio porte a torres de grande altura, inclusive em solos difíceis.
Barragens de usinas hidrelétricas — projetos geotécnicos para grandes obras de geração de energia.
Metrô — trechos executados em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Rodovias e obras de arte — como estruturas ao longo da Rodovia dos Bandeirantes.
Obras industriais — fundações para plantas e estruturas de grande porte.
Essa diversidade de terrenos e tipos de carregamento é o que sustenta a abordagem técnica da Decourt: cada solução de fundação nasce de uma leitura cuidadosa do solo e da obra, não de fórmulas genéricas.
Ferramentas de apoio
[Calculadoras e programas/softwares abertos ao público — base: conteúdo de fundacao-luciano-decourt.streamlit.app (ainda não recebido). Primeira ferramenta disponível abaixo.]
Calculadora do Método da Rigidez (Décourt)
Extrapola a carga última (Quc) de uma estaca a partir dos dados de uma prova de carga — a carga que provoca um recalque igual a 10% do diâmetro da estaca (critério de ruptura convencional).
O que é essa ferramenta
Quando se crava uma estaca (a peça de fundação enterrada que sustenta um prédio), é preciso saber quanto peso ela aguenta antes de ceder. Pra descobrir isso, faz-se uma prova de carga: coloca-se peso real em cima da estaca, aos poucos, medindo o quanto ela afunda a cada etapa. Só que, por segurança e custo, o ensaio quase sempre para antes da estaca realmente romper — ninguém quer arriscar quebrar de verdade uma fundação que vai sustentar um prédio só para "ver o que acontece".
Essa calculadora resolve esse impasse: pega os dados do ensaio, que parou no meio do caminho, e faz uma extrapolação matemática para estimar até onde a estaca aguentaria — sem precisar levá-la à ruptura de verdade. A cada etapa do ensaio, dá pra calcular uma espécie de "resistência" da estaca (peso aplicado ÷ quanto ela afundou). Conforme o peso aumenta, essa resistência normalmente vai diminuindo de um jeito bem previsível — como espremer uma esponja: no começo ela resiste bem, mas quanto mais perto do limite, menos resistência ela oferece a cada novo aperto. Colocando isso num gráfico, dá pra traçar uma linha de tendência e projetá-la um pouco além dos dados reais, até o ponto que os engenheiros geotécnicos convencionaram como "ruptura" (quando a estaca afunda o equivalente a 10% do seu próprio diâmetro).
Na prática, isso permite aproveitar um ensaio real — caro e demorado, que já foi feito — para estimar com confiança a capacidade máxima da estaca, sem gastar mais dinheiro nem colocar a estrutura em risco. É o mesmo método usado nos casos reais que aparecem no site (como o do SKY Residencial, em Fortaleza) para comprovar, com números, que a fundação projetada tem folga de sobra em relação ao seu limite.
O Método da Rigidez (Décourt) extrapola a carga de ruptura (Qu) de uma estaca a partir de uma prova de carga que não chegou à ruptura física. Para cada estágio, com carga Q e recalque w, calcula-se a rigidez K = Q/w. Plotando K em função de Q (ou log K em função de log Q), a curva costuma se comportar de forma aproximadamente linear em subtrechos — sobre o trecho escolhido, ajusta-se uma regressão (K = a + bQ, no caso linear, ou log K = a + b log Q, no caso log) e extrapola-se essa reta até o recalque de referência wc = 10% do diâmetro da estaca (critério de ruptura convencional). Isolando Q na equação ajustada com w = wc, obtém-se Quc. O R² indica o quão bem aquele trecho específico segue o comportamento assumido — como trechos diferentes podem gerar extrapolações distintas, a calculadora permite comparar até 3 curvas ao mesmo tempo, sobre pontos diferentes da mesma prova de carga.
Como usar esta calculadora
Diâmetro da estaca — informe abaixo, na unidade que preferir (cm, m ou mm). Ele define o critério de ruptura: a carga que provoca recalque de 10% do diâmetro.
Preencha a tabela — para cada estágio da prova de carga, informe Carga (kN) e Recalque (mm). A Rigidez (Carga ÷ Recalque) é calculada sozinha. Use "+ Adicionar ponto" para mais linhas, ou "Carregar dados de exemplo" para ver um caso já pronto.
Observe o gráfico — ele plota Carga × Rigidez e ajuda a identificar visualmente o trecho que se comporta como reta.
Configure até 3 curvas — em cada bloco "Curva", escolha o tipo (Linear ou Log) e os números das linhas da tabela (Ponto inicial/final) que marcam o trecho reto identificado no gráfico. A reta ajustada aparece sobreposta no gráfico para conferência.
Clique em Calcular — veja, para cada curva, os coeficientes do ajuste, o R² (qualidade do ajuste — quanto mais perto de 1, melhor) e o Quc extrapolado, em kN.
#
Carga (kN)
Recalque (mm)
Rigidez
Carga × Rigidez. Ao definir os pontos inicial e final de uma curva abaixo, a reta ajustada aparece no gráfico.
Curva 1
Curva 2
Curva 3
Acervo
Trabalhos publicados por Luciano Décourt, documentando décadas de pesquisa em engenharia geotécnica.
[Lista selecionada — o acervo completo reúne mais de 150 trabalhos técnicos e científicos.]
Décourt, L. (2021). Prediction of the bearing capacity of piles based exclusively on N values of the SPT. In Penetration Testing, volume 1 (pp. 29-34). Routledge.
Resende, A. S., Décourt, L., Silva, M. Q. D. C., Araújo, C. B. C. D., & Nóbrega Junior, A. J. (2019). Comparativo de resultados de provas de carga com células expansivas, ensaios bidirecionais, em estacas hélice contínua sem e com problemas em processo executivo.
Décourt, L. (2018). Design of shallow foundations on soils and rocks on basis of settlement considerations. In Innovations in Geotechnical Engineering (pp. 342-357).
Grotta Jr., C., Penna Campos, A. S. D. G. C., & Décourt, L. (2016). Predicted and measured behavior of a tall building in a lateritic clay. In Geotechnical and Geophysical Site Characterisation 5 (ISC'5), Gold Coast.
de Camargo Barros, J. M., Gandolfo, O. C. B., Quaresma Filho, A. R., Penna, F. D., & Décourt, L. (2016). Maximum shear modulus of a Brazilian lateritic soil from in situ and laboratory tests. In Geotechnical and Geophysical Site Characterisation 5 (ISC'5), Gold Coast.
Abreu, P. S. B., Décourt, L., & de Souza Filho, J. M. (2015). Execução de Estacas em Solos Lateríticos. In From Fundamentals to Applications in Geotechnics (pp. 1568-1574). IOS Press.
Décourt, L. (2015). Prediction of Bearing Capacity of Bored Piles in Sands. Theoretical x Empirical Formulas. In From Fundamentals to Applications in Geotechnics (pp. 1721-1725). IOS Press.
Décourt, L., & Koshima, A. (2015). Remedial Measures for a Building With Pile Foundations in Subsiding Soil. In From Fundamentals to Applications in Geotechnics (pp. 1670-1677). IOS Press.
Décourt, L. (2013). Class A predictions and benefits derived from their analyses. In Geotechnical and Geophysical Site Characterization: Proceedings of the 4th International Conference on Site Characterization ISC-4 (Vol. 1, pp. 1797-1804). Taylor & Francis Books Ltd.
Melo, B. N., Albuquerque, J., Décourt, L., & Carvalho, D. (2012). Análise do atrito lateral em estacas hélice contínua instrumentadas por meio do conceito de Rigidez. In 16º Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica. Porto de Galinhas.
Décourt, L. (2011). Discussion of "Plate Load Tests on Cemented Soil Layers Overlaying Weaker Soil" by Nilo Cesar Consoli, Francisco Dalla Rosa, and Anderson Fonini. Journal of Geotechnical and Geoenvironmental Engineering, 137(4), 447-448.
Décourt, L. (2009). General Report — Technical Session 3C, Interactive design. In Proceedings of the 17th International Conference on Soil Mechanics and Geotechnical Engineering, Alexandria.
Décourt, L. (2008). Loading tests: interpretation and prediction of their results. In From Research to Practice in Geotechnical Engineering (pp. 452-470).
Décourt, L. (2007). Discussion of "Pile Behavior—Consequences of Geological and Construction Imperfections" by Harry G. Poulos. Journal of Geotechnical and Geoenvironmental Engineering, 133(1), 120-120.
Décourt, L. (2006). Discussion of "Estimation of Bearing Capacity of Circular Footings on Sands Based on Cone Penetration Test" by Junhwan Lee and Rodrigo Salgado. Journal of Geotechnical and Geoenvironmental Engineering, 132(11), 1511-1513.
Décourt, L. (2006). Discussion of "Review of Standard Penetration Test Short Rod Corrections" by Chris R. Daniel, John A. Howie, R. Scott Jackson, and Brian Walker. Journal of Geotechnical and Geoenvironmental Engineering, 132(12), 1633-1634.
Décourt, L. (2001). Behavior of shallow foundations on a lateritic clay. In Proceedings of the 15th International Conference on Soil Mechanics and Foundation Engineering, Istanbul.
Décourt, L. (1997). Design and behaviour of tall buildings on T-pile foundations. In Proceedings of the 14th International Conference on Soil Mechanics and Foundation Engineering, Hamburg.
Décourt, L. (1996). Capítulos do livro Fundações: Teoria e Prática. ABMS/ABEF.
Niyama, S., & Décourt, L. (1994). Predicted and measured behavior of displacement piles in residual soils. In Proceedings of the 13th International Conference on Soil Mechanics and Foundation Engineering, New Delhi.
Quaresma Filho, A. R., & Décourt, L. (1994). Practical applications of the standard penetration test complemented by torque measurements, SPT-T. In Proceedings of the 13th International Conference on Soil Mechanics and Foundation Engineering, New Delhi.
Décourt, L., & Quaresma Filho, A. R. (1991). The SPT-CF: An Improved SPT. In SEFE II (2º Seminário de Engenharia de Fundações Especiais), vol. 1, São Paulo.
Décourt, L. (1989). Discussion of "Concrete Pile Design in Tidewater Virginia" by Ray E. Martin, James J. Seli, Graydon W. Powell, and Michael Bertoulin. Journal of Geotechnical Engineering, 115(10), 1499-1500.
Décourt, L. (1989). SPT, CPT, pressuremeter testing and recent developments in in-situ testing — Part 2: the standard penetration test, state-of-the-art report. In Proceedings of the 12th International Conference on Soil Mechanics and Foundation Engineering, Rio de Janeiro.
Rad, N. S., Lacasse, S., Lunne, T., & Décourt, L. (1989). SPT, CPT, pressuremeter testing and recent developments in in-situ testing — Part 3. In Proceedings of the 12th International Conference on Soil Mechanics and Foundation Engineering, Rio de Janeiro.
Décourt, L., & Quaresma, A. R. (1978). Capacidade de Carga de Estacas a partir de Valores de SPT. Anais do VI Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia de Fundações (COBRAMSEF), Rio de Janeiro, vol. 1, pp. 45-53. — trabalho de origem do método Décourt-Quaresma, hoje um dos métodos de previsão de capacidade de carga de estacas mais usados no Brasil.
Décourt, L. (1977). Stability of Slopes in Residual Soils. In Proceedings of the 9th International Conference on Soil Mechanics and Foundation Engineering, Tokyo.
Vantagens
O avanço das construções modulares e leves trouxe ganhos expressivos em produtividade e sustentabilidade ecológica. No entanto, a engenharia de fundações tradicional ainda carece de metodologias específicas para acomodar as exigências desse segmento. A Fundação Modular preenche essa lacuna: um sistema de estacas metálicas cravadas por torque, executadas em módulos com segmentos típicos de 2 metros e sem uso de concreto.
Pensado para unir velocidade de instalação, controle individual de carga por estaca e baixo impacto no canteiro, o sistema traz ainda as seguintes vantagens:
Controle de carga aferido estaca a estaca, por torquímetro, durante a própria cravação.
Instalação rápida, com equipamento de baixo custo e pouca mão de obra no canteiro.
Dispensa concreto e tempo de cura — a estaca já entra em carga logo após a cravação.
Execução não depende do nível do lençol freático nem das condições climáticas.
Baixo impacto ambiental: pouco ruído, vibração e volume de escavação.
Pode ser desinstalada e reaproveitada em outra obra, quando necessário.
Boa capacidade portante mesmo em solos de baixa resistência, suportando diferentes tipos de carregamento.
Logística de instalação simplificada, com alta produtividade.
Desenvolvimentos
A Fundação Modular está em fase ativa de pesquisa e validação, dentro de um programa mais amplo voltado a soluções para construções modulares e leves em geral. Cravação de estacas em diferentes tipos de solo, monitoramento extensivo e uma ampla gama de ensaios geotécnicos e provas de carga vêm consolidando os parâmetros de dimensionamento do sistema. Os detalhes de cada campanha estarão documentados em Pesquisas, na página Decourt Pesquisas, à medida que forem concluídas.
Formulação
O dimensionamento da Fundação Modular parte da correlação entre o torque de cravação e a capacidade de carga da estaca, calibrada e validada pelas provas de carga do programa de pesquisa em andamento — sempre em busca de processos mais simples e formatos mais seguros. Os parâmetros técnicos consolidados a partir de cada campanha de testes serão detalhados aqui.
Vídeo demonstrativo: Nesma Partners (disponível via Facebook)
Animação 3D: como funcionam as estacas helicoidais (Studio MBM, via YouTube)
Pesquisas
Da pesquisa em andamento à trajetória que deu origem ao método — da mais recente à mais antiga.
2026Pesquisa em construções modulares e leves — região SudesteEm andamentoPrograma de campo para consolidar processos simplificados e formatos seguros em fundações modulares e leves.
Programa de campo com cravação de estacas em diferentes tipos de solo, monitoramento extensivo e uma ampla gama de ensaios geotécnicos e provas de carga. O objetivo é consolidar processos simplificados e formatos seguros para fundações modulares e leves, seguindo os princípios que orientam a Decourt: qualidade, segurança, economia e rapidez. Previsão de início: 2026.
[Resultados e dados técnicos de cada campanha serão publicados aqui, uma lâmina por pesquisa concluída, conforme forem finalizados.]
2026Prêmio José Machado 2026 (SKY Residencial, Fortaleza)Fundação inédita em barras de aço Rocsolo — recalque máximo de 6,32 mm, bem abaixo do limite de projeto.
A Torre II do Riacho Maceió — SKY Residencial, empreendimento da Construtora Colmeia com projeto do arquiteto Daniel Arruda, à beira-mar de Fortaleza — recebeu uma fundação inédita em barras de aço Rocsolo de 3", com estacas raiz de 40 cm de diâmetro em solo e 31 cm em rocha. Com 52 pavimentos e 165 metros de altura, previsão de entrega em 2026, a torre será um dos edifícios residenciais mais altos do Ceará. Monitorada de fevereiro de 2024 a março de 2026, a obra registrou recalque médio abaixo de 3,0 mm e máximo de 6,32 mm — bem abaixo do limite de projeto, de 25 mm.
2,98 mmrecalque médio
6,32 mmrecalque máximo
25 mmlimite de projeto
O projeto retomou os conceitos de 2013 da Mansão Wildberger (Salvador), publicados no livro "Innovations in Geotechnical Engineering" e apresentados no Symposium da ASCE em 2018 — origem das fundações diretas em barras de aço de 3" de diâmetro e altíssima resistência (282 tf), confinadas por groute ou concreto ≥ 50 MPa.
Diante de uma concepção arquitetônica de pilares muito lineares e estreitos — e considerando que, num edifício de 52 pavimentos, os esforços de vento são determinantes — nenhum pilar foi projetado com um lado aberto: seções em "U" foram fechadas em seções quadradas, para rigidez em todas as direções. Foram usados dois tipos de estaca raiz: estacas de carga (penetrando cerca de 6,0 m na rocha) e estacas de contenção (apenas tocando o topo rochoso).
Corte técnico da fundação em barras de aço confinadas — estacas de carga e de reação.
O monitoramento — prova de carga pela Solossantini, sondagem pela Solotrat, referência nacional em engenharia geotécnica desde 1991 — não mediu apenas recalques: a cada data de leitura, o calculista estrutural Marcelo Silveira, sócio da MD Engenheiros Associados (escritório também responsável pelo projeto estrutural da reforma do Estádio Castelão para a Copa das Confederações de 2013 e a Copa do Mundo de 2014), reavaliava as cargas de todos os pilares, transformando cada medição de recalque numa prova de carga estática.
Tabela 1 — Cargas e recalques dos 16 pilares monitorados
Pilar
Carga (tf)
Recalque (mm)
P-01
1.743,91
1,04
P-02
2.010,33
2,55
P-03
2.545,75
4,59
P-04
3.679,90
6,32
P-05
2.596,64
5,26
P-06
1.991,22
3,30
P-07
1.842,51
2,69
P-08
1.263,05
1,15
P-09
996,06
1,61
P-10
3.613,07
2,44
P-11
3.451,18
3,62
P-12
3.544,22
3,75
P-13
1.000,27
2,39
P-14
1.349,12
2,11
P-15/P-16
7.258,32
1,92
Recalque médio
2,98 mm
Recalque máximo
6,32 mm
O Método da Rigidez (Décourt) foi aplicado aos pilares 4, 12 e 15+16:
Pilar 4 — barra Rocsolo recebendo 248,36 tf, a partir da carga de 3.973,71 tf obtida pelos pontos 2–3 do gráfico de rigidez, dividida pelas 16 estacas de carga. São os mesmos dados usados como exemplo na Calculadora do Método da Rigidez, na página inicial.
Pilar 12 — barra Rocsolo recebendo 241,91 tf, a partir de uma carga de 4.346,85 tf (pontos 4–5 do gráfico de rigidez), descontada a parcela do ponto 9 (≈960,05 tf) e dividida pelas 14 estacas de carga.
Pilar 15+16 — barras Rocsolo recebendo em média 361,07 tf por estaca, a partir de uma carga total de 11.961,99 tf (pontos 4–5), descontados 2.936,91 tf do ponto 8 e distribuída pelas 25 estacas de carga. A carga de ruptura foi estimada em ≈17.169,97 tf — um coeficiente de segurança de ≈2,44 sobre a carga de projeto, de 7.048,50 tf.
Os resultados foram comparados com a pesquisa histórica do , que embasa o comportamento das barras confinadas independente da profundidade. A conclusão reforça o conceito que Décourt introduziu há cerca de 20 anos: em fundações é preciso SER — Segurança, Economia e Rapidez.
2023Prova de Carga Estática — IS Assessoria, SKY ResidencialEstaca raiz testada até 452,4 tf — quase o dobro da carga de trabalho prevista.
Uma estaca raiz Ø400mm do próprio SKY Residencial (Mucuripe, Fortaleza) foi testada até 452,4 tf — quase o dobro da carga de trabalho prevista, de 270 tf — com recalque de apenas 10,8 mm no pico do ensaio.
452,4 tfcarga máxima testada
270 tfcarga de trabalho
5,152 mmrecalque na carga de trabalho
10,8 mmrecalque na carga máxima
Curva real do ensaio PCE-01 (12 estágios, 0 a 452,4 tf) — estilizada a partir da Figura 03 do relatório.
Estaca raiz Ø400mm, 13,00 m de comprimento, executada em 23/12/2022, armada com 6 barras Ø25mm CA-50 (5,10 m) e estribos Ø10mm CA-50 a cada 10 cm — carga admissível de 270 tf (2.700 kN). O sistema de reação usou 5 estacas cravadas com 4 tirantes monobarra Rocsolo de 2" (6,80 m + 6,80 m cada), acionados por macaco hidráulico de 700 t.
O carregamento seguiu a NBR 12131, em 12 estágios não superiores a 20% da carga de trabalho, sem descarregamento, com leituras por 4 extensômetros mecânicos de precisão de 0,01 mm. Relatório assinado pela engenheira Isabella Santini Batista (IS Assessoria Ltda).
Sistema de reação da prova de carga: vigas metálicas, macaco hidráulico e tirantes Rocsolo.
Ensaio PCE-01 — 12 estágios de carga
#
Carga (tf)
Recalque (mm)
1
37,70
0,20
2
75,40
0,70
3
113,10
1,24
4
150,80
1,83
5
188,50
2,55
6
226,20
3,32
7
263,89
4,18
8
301,59
5,13
9
339,29
6,23
10
376,99
7,31
11
414,69
8,97
12
452,39
10,81
2026Monitoramento de Recalques — Geoteknik, RT-15Torre acompanhada por dois anos, em 15 campanhas de nivelamento de alta precisão.
A torre do SKY Residencial — 46 pavimentos tipo, além de subsolos, pavimento de lazer e cobertura — foi acompanhada por nivelamento de alta precisão ao longo de dois anos (fevereiro de 2024 a março de 2026), em 15 campanhas, registrando um recalque médio final de 2,92 mm.
2 anosde monitoramento
15campanhas de nivelamento
2,92 mmrecalque médio final
Metodologia de nivelamento por altimetria de alta precisão: em cada campanha, os pinos de recalque fixados nos pilares são comparados a uma referência de nível profunda ("benchmark"), com nivelamento e contranivelamento cruzados para controle de erro. A cada data de leitura, o calculista da estrutura também reavalia as cargas dos pilares instrumentados — acompanhando carga e recalque lado a lado ao longo da obra, conduzida pela Construtora Colmeia. Relatório assinado pelo Eng. Civil Marcos Fábio Porto de Aguiar, Doutor em Geotecnia (Geoteknik Consulting).
HistóricoPesquisa IPT InterlagosBarras de aço confinadas funcionam como uma "sapata apoiada na barra", independente da profundidade.
Pesquisa histórica em rocha, na região de Interlagos (São Paulo), testou barras de aço Rocsolo de 4,0 m, 6,0 m e 8,0 m confinadas por concreto de alta resistência (≥ 50 MPa). Nos três casos, a partir da profundidade do primeiro instrumento de medição (1,60 m), praticamente toda a carga já havia se dissipado: a carga na base rondava 7,0 tf, contra 360 tf aplicados no topo. Conclusão: essa fundação funciona como uma "sapata apoiada na barra" confinada, com resultado praticamente independente da profundidade e do comprimento da barra.
360 tfcarga aplicada no topo
7 tfcarga residual a 1,6 m
1,6 mprofundidade do 1º instrumento
Ensaios em perfurações de 15 cm de diâmetro, com o espaço entre a barra e a rocha preenchido por concreto de alta resistência. A tabela abaixo é a prova de carga da barra de 8,0 m; o comportamento se repetiu nas barras de 4,0 m e 6,0 m, sustentando a conclusão de independência em relação à profundidade e ao comprimento.
Prova de carga — barra de 8,0 m, Pesquisa IPT Interlagos
#
Carga (tf)
Recalque (mm)
1
360,00
0,35
2
300,00
0,22
3
270,00
0,17
4
240,00
0,16
5
210,00
0,11
6
180,00
0,11
7
150,00
0,07
8
120,00
0,07
9
90,00
0,06
10
60,00
0,05
11
30,00
0,03
2013Mansão Wildberger, Salvador + Symposium ASCE 2018Em breve: mais detalhesProjeto que deu origem ao conceito das fundações diretas em barras de aço.
O projeto de fundações de 2013 para a Mansão Wildberger — torre de 40 pavimentos e 74 apartamentos no Largo da Vitória, Salvador, com vista para a Baía de Todos os Santos — deu origem a todo o conceito das fundações diretas em barras de aço. O trabalho foi publicado no livro "Innovations in Geotechnical Engineering", em homenagem ao Prof. Jean-Louis Briaud, e apresentado no Symposium da ASCE (American Society of Civil Engineers) em 2018.
40pavimentos
74apartamentos
2013projeto de fundações
[Conteúdo provisório — arquiteto Fernando Frank, construtora MRM (com João Fortes); aguardando dados técnicos de fundação do projeto Wildberger.]